segunda, 24 novembro 2014.

Última atualização:07:00:00 AM GMT

Manchete:
You are here: Home Artigos Científicos Prótese Total Montagem de Dentes

Montagem de Dentes

 

Lucielise Dupas Batista

Quando estava me preparando para dar aula na cadeira de Prótese Total, muito entristeceu e irritou-me a introdução do livro “Fundamentos de Prótese Total”dos professores José Ceratti TuranoLuiz Martins Turano, quando diziam: “... os protéticos, em geral são de uma habilidade manual espantosa, mas, infelizmente falta-lhes conhecimento científico no processamento de seus trabalhos. A prótese tem por base uma imensa experiência empírica. Entretanto, costuma-se qualificar de empíricos, profissionais e técnicos cuja habilidade restringe-se quase que exclusivamente na experiência, com muito pouca ou nenhuma teoria ...”
Hoje concordo literalmente com os professores, pois só fui me instruir, dar importância ao embasamento teórico quando me vi diante de alunos ávidos por conhecimento. A partir deste momento, tive a necessidade de reservar tempo para ler bons livros e revistas técnicas e participar de cursos e congressos.
Observo no meu dia-a-dia grandes erros na montagem dos dentes artificiais, que também já os cometi, por falta de aprofundamento teórico. Por isso, passo a seguir algumas orientações que muito me ajudam ao desenvolver meus trabalhos.
A inobservância da papila incisiva para obtermos a posição antero-posterior dos incisivos centrais tem deformado a fisionomia de muitos pacientes, principalmente quando olhados de perfil. Normalmente os incisivos são montados muito para posterior, acarretando transtornos na biomecânica articular e estética. A papila incisiva deverá ficar posterior aos incisivos centrais e entre eles.

O maior dano à estética está em se colocar os incisivos centrais com as superfícies cervicais em contato com o rebordo e/ou base de prova, qualquer que seja a quantidade de reabsorção óssea que o paciente tenha sofrido. Os dentes anteriores devem ser montados de acordo com seguinte esquema de posição mesiodistal e vestíbulolingual, referidas nos planos vertical e horizontal (Figura 1).




Montagem dos Dentes Anteriores Superiores: traçar as linhas guias ântero-posteriores e transversa anterior sobre a superfície oclusal do arco inferior. Elas nos guiarão na conformação dos arcos dentários (Figura 2).
A posição por vestibular dos posteriores superiores será vertical, acompanhando o canino e a inclinação de suas coroas no sentido mesiodistal será vertical ou ligeiramente inclinada para distal.

Posição quanto à cúspide: no 1º PMS somente a vestibular tocará o plano de cera inferior; no 2º PMS as cúspides vestibulares e palatina tocarão o plano; no 1º MS tocarão as cúspides mésiovestibular e mésiopalatina; no 2º MS nenhuma das cúspides tocará o plano.

Montagem dos Dentes Posteriores Superiores: devemos conservar sempre os alinhamentos (colos vestibulares, cúspides vestibulares e palatinas e alinhamento dos sulcos mésio-distais ou sulcos principais). A linha ântero-posterior deverá coincidir com os sulcos mésio-distais dos dentes posteriores. O segundo molar tende a fechar o arco dentário superior, fazendo a sua cúspide disto-vestibular tocar a linha antero-posterior.

Montagem dos Dentes Anteriores Inferiores: existem três regras que devem ser obedecidas:

  • Primeira: a borda incisal dos inferiores não pode tocar a superfície por lingual dos superiores em oclusão central, devendo ficar afastado de 1, 2 ou 3 mm, conforme o caso;
  • Segunda: devido à grande mobilidade do músculo orbicular e sua potência em certos indivíduos, deve-se cuidar para que os incisivos não fiquem muito por vestibular;
  • Terceira: observando preparações anatômicas em corte sagital passando por incisivos centrais, nota-se que o eixo axial desses dentes coincide com o centro do osso, o que, naturalmente resultará em equilíbrio e preservação do tecido ósseo.


A linha transversa passando pela maior extensão do rebordo anterior inferior e que agora está projetada na superfície oclusal do arco inferior, muito orientará a posição das coroas dos incisivos no sentido de sua inclinação por vestibular ou por lingual    (Figura 3).


.

Incisivos Centrais: corta-se a cera exatamente na linha transversa e retira-se a porção vestibular; posiciona-se o incisivo central direito, obedecendo as regras já mencionadas e tangenciando a linha mediana que passa entre os incisivos centrais superiores.

Incisivos Laterais: são um pouco maiores que os centrais e costuma-se posiciona-los com leve giroversão para melhor efeito estético ou algo deprimido por lingual ou saliente por vestibular.

Caninos: em prótese total não há “proteção canina”. Se os caninos trespassam os superiores no sentido vertical, travam os movimentos laterais, gerando um “fulcrum”de alavanca, tendendo ao deslocamento das próteses totais. A vertente posterior da ponta do canino inferior deve trespassar horizontalmente, num efeito cisalhante, a vertente anterior do canino superior.

Montagem dos Dentes Posteriores Inferiores:

Primeiro Molar: retira-se a porção de cera do arco de oclusão. Após a colocação do dente neste espaço, verifica-se se seu sulco de escape vestibular coincide com a cúspide mesio-vestibular do primeiro molar superior.

Segundo Pré-Molar: a ponta de suas cúspides vista por vestibular coincide entre as duas cúspides dos pré-molares antagonistas.

Segundo Molar: posiciona-se o dente, alinhando-o como os dois já montados nesse hemi-arco.

Primeiro Pré Molar: este dente será o último a ser montado, afim de compensar todas as variações de sobremordida e saliência dos dentes anteriores, quando, então será desgastado (por mesial ou distal) para ajustar-se no espaço restante. Outra razão para deixar este dente por último na montagem é que ele só apresenta cúspide vestibular.

Lucielise Dupas Batista é TPD formada em 1984 no Colégio Integração, onde é atualmente, Coordenadora Técnica, além de Professora Titular de PT (Prótese Total), Equipamentos e Instrumentais e Materiais de Prótese.